Bourgogne: Pequeno Reinado dos Brancos
Por: Douglas Puppin Jr.
De fato escrever sobre um tema tão liquido e certo pode parecer fácil, mas garanto lhes não é. A magnitude e diversidade dos grandes borgonhas brancos, nesta pauta especialmente os Grand cru, trata –se de complexidade a toda prova.
Reunimos dez bons amigos no Restaurante Aleixo, em Vitória – E.S., e celebramos com um jantar preparado pela chefe Cleuza Costa harmonizado por 10 garrafas de brancos Grand cru da Borgonha. Dentre as garrafas destacavam-se: Montrachet 2001 Domaine Jacques Prieur, duas de Corton Charlemagne do Domaine Pierre Morey 2004, um Corton Charlemagne Domaine Michel Voarick 2004, Batard Montrachet Pierre morey 2004, Batard Montrachet Verget 2004, Chablis Grand cru Lês Preuses Willian Fevre 2006 e Vaudesir do Joseph Drouhin 2007 como também do Domaine Christian Moreau 2005 e o Les Clos domaine Willian Fevre 2006. De entrada, terrine de fois gras e espuma de maracujá, camarões ao molho picante e aspargos, nhoque de batata e botarga, seguidos de cauda de lagosta grelhada, finalizando com panna cotta com coulis de morangos.
Prefiro aqui dizer que não se tratava de uma degustação, e sim de uma harmonização com intuito de saborearmos o melhor possível na nossa refeição e celebrarmos nossa amizade. Diante de nós, 10 taças perfeitamente arrumadas em círculo chamavam a atenção com as suas diferentes nuances de cor, um verdadeiro arco íris do amarelo claro, por vezes com matizes esverdeadas chegando ao ouro velho.
A cor amarela clara pálida já nos permitia indicar os diversos rótulos que se apresentariam posteriormente como a dita palidez do Chablis , mas tambem nos dificultava imensamente em destaca-los dos Cortons. A forte cor de ouro amarelo “velho” chamava a atenção, sugerindo realmente tratar se do Montrachet.
Já no quesito aromas, predominavam nos vinhos mais claros com sabor do mel, manteiga, frutas secas e amêndoas. Dentre os vinhos de Chablis apreciados, não conseguimos distinguir grandes diferenças entre eles; a exceção do Les Clos que apresentou-se sem personalidade e bastante diluído, como se estivesse com todas as suas características minimizadas.
No ouro velho, diga-se Montrachet, predominavam aromas de manteiga, frutas secas, amêndoas, como também de mel apimentado. Sendo, na boca, potente, untoso e seco. No quesito cor não nos foi fácil traçar diferenças entre os Corton e os Batard, nos quais realmente foi nos necessário lançar mão do critério sabor, madeira mas presente nos Corton mas, mesmo assim, foi difícil de dirimir essas diferenças, pois mesmo sendo de regiões (climats) distintas, não foi tão simples distingui-los. Os Corton amarelo pálido aos olhos com raros reflexos esverdeados, no nariz pêra, ananás, e musgos molhados, lembrando por vezes cogumelos (champignons), sendo na boca super elegante, raçudo (característica bem marcante no Domaine Pierre Morey) com uma longa e intensa permanência na boca.
A elegância e suavidade do Batard do Domaine Verget impressionou. Assim como a imponência e a masculinidade do Batard do Pierre Morey com sua cor amarelo clara com reflexos esverdeados. No nariz amêndoas, mel, frutas secas. São realmente vinhos de grande contraste , potentes, ricos, untosos, e também bem longos na boca. O Montrachet apresentava leves sinais de oxidação, mas provavelmente tenhamos confundido em virtude da qualidade da safra 2001 (safra bastante árdua para os produtores), portanto não tivemos a tão esperada exuberância deste vinho que, mesmo assim, mostrou sua personalidade única, potente, seco com sua untuosidade característica que justifica por certo sua fama.
Fica desde já assinalada a necessidade de termos degustações separadas de Grand Cru só contendo os Chablis que nos mostram um perfeito equilíbrio entre acidez e untuosidade, os Corton e os demais elegantes vinhos da cotê de Beaune (Montrachet e afins).
Os reis da noite foram sem dúvida os Montrachet (Batards e Montrachet) seguidos dos Corton, mas a excelência destes vinhos foi tanta, que devemos cultuar o estudo e degustações mais aprimoradas desta região tão nobre, já referenciada a décadas por Charles de Gaulle e a séculos por Louis XIV.
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Ps: o artigo descrito acima expressa somente a opinião de um admirador desta região, sem nenhum intuito comercial.









Que beleza, parabéns ao Dr Douglas mostra que não é só um excelente médico….
Abs
É por esta e outras que ele é o QI número 01 da UFES.
Realmente a degustação além de excepcional foi um grande aprendizado.
Abraço grande.