Encontro Internacional do Vinho
América do Sul por Franceses
Heléne Garcin, Hector Vergara e Jean Pascal Lacaze.
Por Fernando Sampaio

Quando uma degustação como essa se inicia, parece que tudo ao nosso redor deixa de existir e o mundo se reduz a seis taças cuidadosamente dispostas a nossa frente. Como numa tradicional receita da culinária francesa, o enólogo Jean Pascal Lacaze e a produtora Heléne Garcin, complementaram-se em suas opiniões. Jean é como a Universidade de Bordeaux, sua incrível objetividade e clareza não deixa dúvidas sobre sua competência.
Madame Heléne faz do vinho algo maior que uma simples busca pela qualidade. Seus olhos nos deixa claro que seu trabalho é motivado por uma enorme paixão pelo que faz.
O Máster Sommelier Chileno Hector Vergara, que também é diplomado pela Wine And Spirits Education Trust de Londres, é dono de opiniões que de tão claras e coerentes, transformaram a avaliação e leitura dos vinhos em algo natural como o ato de levá-los a boca. Não é difícil definir Sr. Hector. Sua simplicidade e profundo conhecimento o transformam em um verdadeiro mestre, que como tal, possui um magnetismo impressionante fazendo com que o ato da troca de informações sobre vinho seja algo fascinante.
Vinhos excepcionais acompanhados de profissionais de altíssimo gabarito para comentá-los. A pergunta que me faço, é porque profissionais do nível de Jean Pascal e Heléne Garcin, oriundos do país mais tradicional na produção desta bebida, investem tempo e dinheiro no novo mundo. Para Jean Pascal, a resposta está na ponta da língua: “Liberdade. Sentia-me preso na França…” Se o entendi, as rígidas leis franceses que impedem experimentos tais como, cultivo de diferentes castas das já determinadas pelas Appellation d’Origine Contrôlée, novos métodos de vinificação e irrigação de vinhedos são fatores determinantes que motivam esses profissionais dispostos a enfrentar novos desafios.
Observando mais atentamente os papeis do Chile e Argentina no mercado mundial, é possível notar que as diferenças que há alguns anos eram marcantes, cada vez mais se tornam parte de um passado recente. O Chile despertou muito antes da Argentina no que diz respeito à busca por qualidade, também foram fatores determinantes para o sucesso da indústria do vinho Chilena o fato de sua economia ser muito mais estável e o país possuir uma melhor infraestrutura que seus vizinhos argentinos. A queda de Pinochet para a Indústria do vinho Chileno surtiu o mesmo efeito que a descoberta de ouro na Califórnia em 1848. Sem dúvida nossos amigos chilenos souberam mais uma vez aproveitar a oportunidade.
E para aqueles que acham que os vinhos argentinos são os mesmos de 10 anos atrás, deixo um conselho: Voltem a provar vinhos argentinos, eles têm melhorado muito e sob uma visão mais ampla, nem de longe nos lembram os vinhos tânicos e desequilibrados do passado.
Eleger um vinho como o melhor da degustação, em minha opinião não seria justo. Cada um possui suas qualidades e diferentes características. Certo é o fato de que todos representaram de forma grandiosa seus locais de origem.
Grande seleção de vinhos… Sem dúvida foi uma degustação memorável.

Almaviva 2001
Chile: Vale Do Maipo
Uvas: Cabernet Sauvignon, Carmenère, Cabernet Franc.
Rubi profundo e opaco. Aromas de morango em compota, chocolate amargo com nuances de menta, amoras negras silvestres, tabaco, café, couro e um rico toque mineral.
Este vinho untuoso se revela macio, amplo e com muito corpo e estrutura.
Sabores de chocolate amargo, frutas secas como ameixa groselha que persistem em seu longo final de boca.
Um vinho soberbo com enorme potencial de guarda.
Domus Áurea 2005
Chile: Vale do Maipo
Uvas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc.
Rubi. Opaco. Aromas pronunciados e definidos. Notas de menta mescladas a notas de frutas negras como amora. Frutas cristalizadas. Tabaco.
Boa acidez. Taninos firmes, porém finos e de muita qualidade. Muito encorpado. Excelente final de boca. Um vinho pronto para beber podendo envelhecer na garrafa.
Bodegas Poesia.
Argentina: Mendoza – Luján de Cuyo
Uvas: Malbec e Cabernet Sauvignon
Rubi profundo. Acidez marcante, taninos presentes, maduros, macios e perfeitamente integrados ao vinho. No nariz, apresenta aromas de frutas vermelhas como cerejas, notas florais e um leve toque de café. Muito corpo. Final de boca pleno. Pronto para beber, mas com potencial de guarda.
Clos Apalta 2006.
Chile: Vale de Apalta – Colchágua.
Uvas: Carmenére, Merlot e Cabernet Sauvignon.
Sua cor rubi intensa demonstrou sua força e juventude.
No nariz, intensos e definidos aromas de groselha negra madura e pimenta negra.
Sua Acidez alta e alto nível de taninos de qualidade indicaram uma enorme capacidade de envelhecimento. Um vinho de muito corpo e persistência. Necessita de cinco anos ou mais para envelhecer.
Cuvelier de Los Andes Gran Malbec 2006
Argentina: Mendoza
Uva: Malbec
Rubi profundo. Jovem. Aromas de baunilha, floral com toques de grafite. Muito boa acidez integrada a taninos maduros e com muito corpo. Longo final de boca.
Pronto para consumo e com boa capacidade de envelhecimento.
Linda Flor 2004
Argentina: Mendoza – Vale de Uco – Tunuyán.
Uva: Malbec
Rubi com tons violáceos. Seus complexos aromas sugerem um vinho em desenvolvimento, notas de cereja madura, alcaçuz e especiarias. Boa acidez e taninos perfeitamente integrados ao vinho. Final de boca persistente.
Pronto para consumo, mas com estrutura para envelhecimento.









Realmente esta foi uma degustação memoravél, os vinhos estavam explendidos. Parabéns a todos pela organização.
abraços