Maule, “O patinho feio do Chile”.
Região desprezada por muitos, começa a apresentar para o mundo verdadeiras pedras preciosas.
Sempre que pensamos em vinhos chilenos de alta qualidade, nossas idéias sempre são direcionadas para regiões já famosas em todo o mundo. Como o Vale do Maipo, com suas belas vinícolas e sua encantadora capital Santiago, o Vale de Casablanca com seus vinhos brancos e tintos de pinot noir de altíssimo nível ou para o aclamado Vale de Colchágua, com suas vinícolas de primeira grandeza que dispensam maiores apresentações.
Mas assim como na arte, que sempre nos apresenta gratas surpresas, como recentemente surgiu a cantora inglesa Susan Boyle, sucesso estrondoso num programa de novos talentos daquele país, apelidada como “patinho feio” pelos internautas de plantão, outras regiões chilenas muitas vezes subestimadas pelo grande público pode nos surpreender com verdadeiras pedras preciosas. Este é o caso do Vale do Maule, região situada em torno de 250 km ao sul da capital Santiago, nem sempre explorada pelos amantes do vinho.
O Maule é atualmente a maior região vinícola do Chile, e aqui se encontra praticamente todas as variedades de uvas cultivadas no país. Porém, uma porcentagem considerável de seus vinhedos ainda são de uvas comuns, que não são ideais para a produção de vinhos finos de qualidade, e provavelmente por este motivo a região ainda é tratada com certo desdém pelo respeitável público do mundo do vinho. Mas foi exatamente aí que os espanhóis plantaram as primeiras videiras no Chile, da variedade País, uva de pouca personalidade que produz vinhos muito simples.
E assim como Susan Boyle que surpreendeu o mundo artístico superando todas as expectativas depositadas sobre a sua aparência e história, o Vale do Maule vem surpreendendo até mesmo os amantes do vinho mais exigentes, produzindo verdadeiras obras de arte. Tudo isto graças a investimentos de pessoas sérias do mundo do vinho como o Conde Francesco Marone Cinzano, proprietário da aclamada vinícola toscana Col d´Orcia e que resolveu investir seu conhecimento no Maule, conseguindo produzir o surpreendente Erasmo de Caliboro, corte de Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc, mas com características de vinho toscano, que vem conquistando o grande público do vinho no Brasil.
Em recente jantar de lançamento do Erasmo de Caliboro no Restaurante Hermengarda, o renomado chef Guilherme Melo e sua talentosa equipe proporcionou aos seus clientes uma belíssima harmonização do Erasmo 2004 com uma galinha caipira confitada com ragú de pinhão e o Erasmo 2005 com um lombo de cordeiro com tapioca grelhada e cebola cristal glaceada no licor de jabuticaba. Harmonizações brilhantes de dar água na boca até mesmo ao criador da obra, o Conde Francesco Marone Cinzano. Isso só serve para comprovar a qualidade e diversidade de um grande produto “maulino”. Segundo o sommelier Ângelo Ferreira, do Fabbrica Spaghetteria, as harmonizações com o Erasmo de Caliboro estão sendo um verdadeiro sucesso na Spaghetteria. E a “campeã de audiência” segundo Ângelo é a harmonização do Erasmo 2005 com o Spaghetti Trufado com Lombo de Cordeiro ao Molho de Alecrim: “não há um cliente que não se surpreenda com esta combinação” diz o sommelier.
E desta forma, com trabalho sério e de muito talento, é que pessoas e regiões anônimas para o grande público, como Susan Boyle e o Vale do Maule vêm ganhando os holofotes dos palcos espalhados por todo o mundo.
Saúde a todos e um brinde a diversidade no mundo do vinho!
Gustavo Giacchero.
Sommelier da Casa do Porto responsável pelo atendimento a restaurantes.
WSET level 02.








Gustavo, Parabéns pela matéria, ficou realmente muito bem escrita e diz toda a verdade deste Vale no Chile, com seus vinhos espetaculares que hoje estão entre os melhores do mundo.
Obrigado
Eduardo
Gustavo,
Muito boa matéria! um grande abraço.
Fernando
provei um vinho da vinicola segú chamado caliboro . achei de ótimo custo benefício . Servi ontem no aniversário de minha esposa e todos adoraram o excelente aroma do cabernet sauvignon reserve safra 2007